terça-feira, 5 de junho de 2012

É HOJE !!!


V PANdebate - Direitos e bem-estar dos animais

No próximo dia 5 de Junho a V Edição do PANdebates será totalmente dedicada ao bem-estar e direitos dos animais.

Como argumentar a favor dos direitos dos animais, o bem-estar animal em Portugal e a urgência de alteração do estatuto do animal serão os temas abordados nesta sessão, pelos professores universitários Pedro Galvão e Miguel Romão e a Médica Veterinária Alexandra Pereira.

Dia 5 de Junho às 18h30 na Rua da Anchieta em Lisboa. A entrada é livre e limitada a 80 pessoas. Faça já a sua inscrição para pandebates@pan.com.pt Este endereço de e-mail está protegido de spam bots, pelo que necessita do Javascript activado para o visualizar | 969954184 | 213426226. Não falte!

Comunicado do PAN sobre o Dia Mundial do Ambiente 2012


Comemora-se hoje o 39.º Dia Mundial do Ambiente e o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) tem como temática deste ano “Economia Verde: estás incluído?”. A pergunta pode ser colocada a dois níveis: ao nível particular de cada um de nós, mas, sobretudo, ao nível de cada um dos nossos países e das nossas economias. O que lhe parece? Estará a economia portuguesa incluída nas Economias Verdes?


Faz hoje também um ano que decorreram eleições legislativas em Portugal, as primeiras a que o PAN concorreu e obteve 57 849 votos — um excelente trabalho para um partido nascido em Janeiro do mesmo ano — e no dia 21 de Junho o actual governo tomou posse. Durante o último ano o emprego diminuiu, a miséria aumentou, as assimetrias sociais acentuaram-se, os trabalhadores perderam direitos, o chefe do governo presta vassalagem à Alemanha e à Troika, a Europa definha e do Ambiente nem sequer se ouve falar. O que os nossos governantes parecem não ter ainda percebido é que cuidar do ambiente e promover o desenvolvimento de economias verdes não é mais um problema que eles têm de enfrentar, é a resolução para os problemas que se têm vindo a criar. O legado europeu não é a zona euro nem a crematística do establishment económico neoliberal dos mercados mundiais a que a Europa teima em se sujeitar, por falta de iniciativa, mas também porque essa iniciativa não é bem vista nem serve os interesses e as negociatas dos que nos governam a nível nacional e europeu. O legado europeu é o da democracia, da solidariedade igualitária, dos direitos humanos e dos trabalhadores, das energias renováveis da protecção ambiental e, no que a essa luta diz respeito, não nos esqueçamos que “Somos todos Gregos”. A batalha que a Europa trava não é Grécia contra a Alemanha, não é o Sul contra o Norte; é uma batalha entre o desenvolvimento de uma economia verde sustentada e a crematística. As corporações multinacionais têm espalhado os seus tentáculos e vindo a tomar lugares de destaque no contexto dos governantes europeus. Não é uma luta entre povos europeus, mas uma luta que reclama uma economia baseada não no capital financeiro, mas nos recursos e na valorização do mundo não humano. O capital que tem valor nas sociedades em transformação, não é o capital financeiro, mas o capital cultural.

Para Portugal queremos um papel mais activo, o herege que promove o desenvolvimento de ideias alternativas à acriticamente aceite ideologia hegemónica. O Portugal europeu mas, também, o Portugal universal que reconhece e assume a sua cultura de miscigenação como uma mais-valia na construção de um mundo novo. Portugal é Europa, mas é também América, África e Ásia. Conversemos com o Brasil, Angola, Moçambique, Timor, mas também com o Equador e a Bolívia que recentemente reconheceram, nas suas constituições, direitos ao mundo natural idênticos aos direitos humanos. Sejamos também Índia que ensinou como se pode mudar o mundo através da não-violência. Escutemos os animais e as árvores, as florestas e os desertos, os rios e as montanhas, os lagos e os oceanos. Saibamos aprender com eles como é possível viver em harmoniosa simbiose e abandonar a sanguinária e exploratória forma de vida.

Queremos que Portugal esteja na linha da frente na construção de um mundo onde os sistemas económicos não visem a acumulação de riqueza, mas antes reconheçam que a riqueza é produzida por todos, humanos e não-humanos, pessoas, animais e natureza; uma riqueza que provém da diversidade e das relações de respeito mútuo. Só este tipo de economia merece o apelido de verde e esta é a forma de não só Portugal e os portugueses serem incluídos, mas do estabelecimento do comprometimento dos terráqueos com a Terra.

Comunicado do PAN sobre a possibilidade de projectos de caça virem a beneficiar de fundos europeus

O Partido pelos Animais e pela Natureza (PAN) vem, através do presente comunicado, manifestar a sua firme oposição ao anúncio apresentado pelo eurodeputado Capoulas Santos no 20.º Encontro Nacional de Caçadores, realizado no Domingo, dia 20 de Maio, em Santarém. Capoulas Santos, que é também presidente do denominado “Intergrupo para a Caça Sustentável, Biodiversidade, Actividades Rurais e Florestas”, anunciou a sua intenção de avançar em Bruxelas com uma proposta legislativa que abra as portas à candidatura a fundos comunitários por parte dos projectos de investimento ligados à caça. A intenção é, segundo o próprio, aproveitar as negociações da nova Política Agrícola Comum (PAC) pós-2013, que decorrem actualmente entre os estados-membros da UE.

A caça é um sector com cada vez menos significado na economia e sociedade portuguesas, que perde força consistentemente. O facto de os caçadores se extinguirem à taxa de 10 mil por ano é uma derrota apenas para as associações de caça, porque, para todos os outros sectores que procuram dinamizar as regiões rurais e do interior de Portugal, é um sinal positivo e encorajador. Os projectos relacionados com a caça têm neste momento apoios do PRODER com um tecto de 50%, se este valor não é suficiente para gerar uma actividade economicamente sustentável, a conclusão da inviabilidade do sector é a única que podemos, legitimamente, tirar. Hoje em dia há uma consciencialização cada vez mais instalada por todo o país de que projectos mais capazes e eficazes para atrair desenvolvimento económico e social nas regiões do interior do país são os relacionados com o eco-turismo ou a agricultura sustentável, esses sim verdadeiros dinamizadores de um desenvolvimento rural sustentável, que valoriza verdadeiramente os recursos naturais e respeita animais e natureza, sendo por isso eticamente valoráveis. Estes são os projectos que deveriam ter financiamento europeu. O recurso a fundos europeus tem justamente o propósito de servir para dinamizar uma fase inicial para uma actividade relativamente recente, com potencial para se auto-sustentar e utilizar da melhor forma os recursos naturais das regiões para onde os fundos são mobilizados, e não tentar manter à tona uma actividade em vias de extinção e que não oferece a menor segurança económica ou mais-valias para o território.

A caça, ainda que seja uma prática ancestral, não tem lugar no Portugal do século XXI, nem moralmente nem economicamente. Em lugar de alimentar um sector moribundo e de ética duvidosa, os fundos europeus deveriam servir justamente para capacitar quer os organismos de estado de Gestão da Natureza e da Biodiversidade, como Instituto para a Conservação da Natureza, quer os projectos das ONG’s Ambientais Portuguesas, como o Projecto do Lince e do Abutre-Preto, para fazer essa gestão. Um exemplo recente foi o Projecto Life , que disponibilizou fundos comunitários, permitindo à Liga para a Protecção da Natureza adquirir mais 5000 hectares para o Projecto do Lince e do Abutre-Preto e passar a gerir o território de modo a aumentar a sua capacidade natural de gerar biodiversidade. Um sector que está a precisar destes fundos europeus para arrancar é justamente o do eco-turismo. A valorização dos nossos recursos naturais através da instalação de empresas de observação de aves e de outra vida selvagem, de desportos de aventura e simplesmente de aproveitamento dos parques e reservas naturais é um investimento económico e social seguro e que vai de encontro à procura actual dos consumidores que vêem Portugal como um destino turístico, como é o caso de muitos dos turistas provenientes da Grã-Bretanha, Holanda e Alemanha.

Se de facto se verifica que há cada vez menos caçadores, que os apoios da PRODER de 50% ao longo de vários anos não conseguem viabilizar uma actividade que está desencontrada com uma mudança de valores morais e de valorização dos recursos naturais, se há alternativas comprovadas e estabelecidas que verdadeiramente dinamizam o interior e podem garantir um desenvolvimento sustentável, é necessário rever o impulso de procurar fundos europeus para a caça.

Onde uns vêem um desporto, o PAN, assim como todos os que prezam o direito de pessoas, animais e natureza ao bem-estar e vêem a defesa dos ecossistemas como um bem não-negociável, considera a prática da caça desportiva um crime ambiental e um crime contra todos os seres vivos.

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Carta aberta do PAN Porto aos Bombeiros Voluntários de Barcelos

Exmos. Srs.,

O Conselho Local do Porto do Partido pelos Animais e pela Natureza vem por este meio associar-se ao coro de cidadãos que se têm manifestado contra a colaboração da Associação Humanitária de Bombeiros Voluntários de Barcelos na corrida de touros marcada para o próximo dia 6 de Maio em Barcelos.
Lemos cuidadosamente o esclarecimento publicado no site da AHBVB, sem contudo encontrar no mesmo qualquer argumento eticamente aceitável para a associação ao evento mencionado. É compreensível que os Bombeiros Voluntários de Barcelos necessitem de fundos que suportem a sua actividade, mas é absolutamente lamentável e a todos os níveis reprovável que procurem angariá-los através de eventos de cariz sádico, de resto sem tradição significativa na zona Norte do País. Segundo o referido esclarecimento, "a esmagadora maioria da população" portuguesa aceita as corridas de touros, uma afirmação que levanta sérias dúvidas, até por contrariar em absoluto os números de um estudo recente, segundo o qual mais de 50% dos portugueses é a favor da abolição da tauromaquia no país. "Vida por Vida" é o lema da AHBVB, mas o que agora vemos é essa entidade a associar-se a uma actividade que promove o sofrimento e a morte por divertimento, como se os fins justificassem os meios. Se é verdade que, ao longo dos seus quase 130 anos de existência, a AHBVB "pautou sempre a sua actuação por valores de respeito, humanidade, solidariedade, tolerância e honestidade", é com grande pesar que vemos a instituição manchar de forma indelével esse imaculado currículo. Solicitamos por isso à Associação Humanitária de Bombeiros Voluntários de Barcelos que reconsidere e tome a única decisão eticamente correcta, a de cessar a colaboração com o evento de dia 6 de Maio e recusar a angariação de fundos às custas de actividades baseadas em sofrimento e derramamento de sangue.
Caso a decisão da AHBVB se mantenha, o PAN Porto não deixará de manifestar, de forma cívica e pacífica mas veemente, o seu repúdio por tal atitude, indigna de uma entidade tão nobre como uma corporação de bombeiros.

Com os nossos melhores cumprimentos,

O Conselho Local do Porto do Partido pelos Animais e pela Natureza

Por um verdadeiro 25 de Abril, por uma verdadeira Revolução, pelo bem de todos os seres!



Tinha 14 anos quando se deu o 25 de Abril de 1974. Jamais esquecerei a súbita explosão de alegria e entusiasmo nas ruas com a queda de um regime opressivo e a ardente expectativa de se construir um país melhor para todos! Jamais esquecerei a multidão que se juntou na Alameda D. Afonso Henriques no dia 1 de Maio para voltar a comemorar em liberdade o Dia do Trabalhador. É impossível esquecer o contagiante sentimento de unidade, fraternidade e generosidade que unia a todos naqueles dias, em que se sentia que tudo era possível e uma sociedade voltava a ser uma comunidade com um mesmo desígnio, o de se organizar de forma mais livre, solidária e justa, visando o bem de todos. De repente todos se interessavam por política, porque política significava transformar a vida e construir um Mundo Novo.
Infelizmente, logo predominaram as divisões, os conflitos e a luta pelo poder entre as forças económicas e ideológicas que entre nós representavam os grandes blocos mundiais. A energia da população foi orientada para a luta partidária onde rapidamente triunfaram, nos governos e nas oposições, agendas políticas e económicas internacionais e específicas, que sem pudor sacrificaram a espontaneidade popular e o bem comum. O potencial de profunda mudança do 25 de Abril logo foi domesticado numa mera democracia formal, em que os cidadãos são encorajados a confundir liberdade com o voto periódico em representantes partidários sobre os quais, uma vez eleitos, perdem todo o poder de controle, assistindo passivos e impotentes à traição de todas as promessas eleitorais. O ímpeto de construir uma sociedade mais justa, apesar de ter dado origem a uma das Constituições mais evoluídas do mundo, rapidamente foi neutralizado pela subordinação das forças sociais e económicas às regras de jogo do capitalismo mundial e a consagração dos fundamentais direitos constitucionais foi-se tornando cada vez mais letra morta. Dois ou três partidos instalaram-se no poder e outros tantos na oposição, uns a gerirem os interesses da grande finança e outros a reagirem contra isso, sindicatos incluídos, mas todos isentos de vontade de mudança estrutural e profunda. A comunicação social foi comprada e silenciada. Desiludidos com os partidos, com os políticos e com a política em geral, que passaram a ser palavras com sentido negativo, os portugueses começaram a abster-se cada vez mais de votar e de participar na vida cívica. A onda de entusiasmo do 25 de Abril de 1974 deu lugar a uma ressaca de passividade “democrática” estranha mas significativamente semelhante ao conformismo do Portugal de Salazar e Caetano.
Portugal entretanto entrou para a Europa, que lhe exigiu a destruição das bases da sua economia, em particular a agricultura, trocadas por auto-estradas, serviços e funcionários, teve acesso a fundos europeus desbaratados em corrupção e obras de fachada, fez o jogo dos bancos deixando-se seduzir pelo acesso ao paraíso do crédito fácil e viciou-se no consumismo compulsivo. O interior foi abandonado e desertificado, uma população desenraizada concentrou-se no litoral e nas grandes cidades, destruiu-se a paisagem para edificar betão e a ganância do turismo desordenou ainda mais o território. O espírito de cooperação deu lugar ao individualismo e à competição de todos contra todos e o impulso colectivo para a construção de um mundo novo degradou-se em devaneios de novo-riquismo ostentatório, na peregrinação aos hipermercados, na acumulação de futilidades e no sonho de proezas futebolísticas.
Desta alienação colectiva, induzida por sucessivos governos como sinal de progresso, mal despertamos agora para pagar a factura da gestão danosa desses mesmos governos, para pagar com juros gigantescos uma dívida obscura, que todos contraímos sem saber, porque ninguém nos disse a verdade e todos nos mentiram, mas que também, além de ter muito de inventado, é a factura da crise do capitalismo mundial, que pretende prolongar a sua vida artificial, feita de especulação financeira, com os balões do oxigénio da vida real das populações, dos seres vivos e do planeta que explora e destrói como um predador selvagem, desesperado e descontrolado. E súbita e brutalmente vemos, mediante medidas financeiras sem plano económico, o que restava de um Estado medianamente social a ser desmantelado, subsídios abolidos, vencimentos, pensões e reformas diminuídos, as garantias de emprego e de segurança social a desaparecerem, a habitação, a alimentação, a saúde e a educação cada dia mais caras, a justiça na miséria de sempre, por via de uma austeridade cirurgicamente dirigida para a classe média e baixa e para o empobrecimento compulsivo da população. Sectores fundamentais da economia, como a electricidade, a energia e as águas, são ainda mais privatizados ou correm risco disso, o desemprego e a precariedade aumentam, cada vez mais famílias descem abaixo do limiar de pobreza, os idosos vivem com pensões de miséria que não chegam para medicamentos e os jovens não têm horizontes. Ao mesmo tempo as castas de políticos e administradores, gestores dos interesses das corporações e da finança mundial e principais responsáveis por este estado de coisas, continuam a auferir impunes de todas as regalias económicas e sociais, apenas ligeiramente aparadas para não ser demasiado escandaloso.
O radioso horizonte de esperança de Abril de 1974 converteu-se num sentimento de beco sem saída, a não ser a da emigração de um país condenado a pagar uma dívida impagável e a ser cada vez mais espezinhado pelos poderosos da Europa e do mundo. Muitos dos melhores e mais activos portugueses começam de novo a emigrar, abandonando um país uma vez mais amordaçado e triste, deprimido, descrente e envelhecido. Trinta e oito anos após sair de meio século de ditadura política, Portugal cai numa mal disfarçada tirania económico-financeira e vive num clima de medo e de pensamento único, em que a contestação se confronta de novo com a repressão policial.
Este é um dos lados da moeda e não devemos ignorá-lo. Mas outro é o da ebulição, em Portugal e em todo o mundo, também como reacção a esta situação, de um sem número de movimentos e iniciativas que buscam seriamente uma alternativa ao actual sistema e nele procuram plantar desde já as sementes de um Mundo Novo, que há-de emergir do colapso inevitável da actual (des)ordem mundial, que não é evidentemente sustentável a nível planetário, em termos energéticos, alimentares e ecológicos, mas também em termos da opressão, sofrimento e mal-estar galopantes que gera nos seres vivos, humanos e não-humanos. E não é sustentável a curto prazo, como inúmeros e isentos relatórios científicos abundantemente documentam e anunciam. Na verdade, todo o sistema, político, económico ou outro, que gere a opressão e infelicidade das populações, a destruição da biodiversidade e dos ecossistemas, todo o sistema que violente a Vida, é já um cadáver de pé, que mais cedo ou mais tarde há-de cair. É o que já acontece no momento em que vivemos.
Temos pois de estar atentos aos sinais dos tempos e promover todas as alternativas sérias e credíveis que antecipem desde já o mundo novo que desejamos, sem ficarmos à espera de governos e partidos obsoletos, que excederam o prazo de validade: uma espiritualidade laica, não dogmática, baseada menos na crença irreflectida do que na consciência fraterna e na transformação ética da vida, que promova o diálogo entre religiosos, agnósticos e ateus; uma cultura multicultural e inter-disciplinar, aberta a novos paradigmas holísticos, que vejam a realidade e os seres como uma totalidade orgânica inter-conectada; novas práticas e currículos educativos, que visem o desenvolvimento integral das crianças e dos jovens, não só do intelecto, mas também da sensibilidade e da consciência ética global, extensiva aos homens, aos animais e ao planeta; a introdução das técnicas de atenção plena, com imensos benefícios psicossomáticos cientificamente comprovados, na vida quotidiana e nas situações mais adversas e exigentes, como escolas, hospitais, empresas e prisões; terapias alternativas, mais naturais e saudáveis, que não lucram com a doença e estão livres da escandalosa conivência entre a classe médica e os laboratórios farmacêuticos; novas dietas alimentares, mais éticas, saudáveis e ecológicas, que, conforme as recomendações da ONU, devem passar pela redução do consumo de carne e lacticínios e pelo aumento do recurso a cereais e legumes; um novo modelo de organização social e política, que descentralize e desburocratize o exercício do poder e faça a transição da democracia representativa para uma democracia mais directa, onde os cidadãos possam controlar e demitir os representantes que não cumprirem as funções e o programa para o qual forem eleitos; um novo sistema eleitoral, com um único círculo nacional, que permita uma representatividade mais equitativa de todas as forças políticas e possibilite a candidatura de listas de cidadãos independentes dos partidos; um novo modelo económico, que faça a transição da economia de mercado para uma economia baseada em recursos e liberte o planeta e os seres vivos da ideia demente e suicida de rentabilizar ao infinito recursos naturais finitos; o abandono definitivo das energias fósseis e a sua substituição por energias renováveis, promovendo as tecnologias amigas do ambiente; o regresso à terra, com base na agricultura biológica e na permacultura, também nos centros urbanos; a assunção clara de uma nova aliança entre os homens, os seres vivos e a Terra como matriz de uma nova civilização, para o qual há que consagrar na Constituição da República Portuguesa a senciência dos animais e o valor intrínseco do mundo natural, bem como aprovar um estatuto jurídico dos animais que lhes confira personalidade jurídica e conduza à criminalização de todos os atentados contra a sua integridade física e psicológica. Sim, porque, vivamos nós em ditadura ou democracia, os animais vivem numa ditadura bem mais dura, total e cruel. Para eles nunca houve qualquer tipo de 25 de Abril.
É no sentido destas alternativas que se movem os sectores mais conscientes e evoluídos da sociedade portuguesa e mundial. Isto exige de todos nós muita abertura, generosidade e inconformismo. Perante a passividade bem domesticada e ordenada em que muitos ainda se arrastam, é o momento de renovar o Elogio da Indisciplina feito por Fernando Pessoa. Temos de ser novos e bons rebeldes, pela mais justa de todas as causas, a causa do bem de tudo e de todos.
No meu caso pessoal, é esta rebeldia que me traz de volta à intervenção cívica, social e política mais directa, após a ter trocado pela intervenção cultural, desiludido com o conformismo partidário no pós-25 de Abril. E faço-o porque, com muitos amigos e o apoio de dezenas de milhares de portugueses, está a ser possível criar um partido diferente, o partido dos que tomam partido pelo todo e não pela parte, um partido que toma partido pelo bem de tudo e de todos, o PAN - Partido pelos Animais e pela Natureza - , que abraça como uma só as três causas, humana, animal e ecológica. O PAN assume-se como a voz política em Portugal de todas as alternativas éticas, científicas e saudáveis a um sistema decadente e moribundo e de todos os movimentos, associações e iniciativas cívicas que, nas várias áreas, convergem já, estejam disso ou não conscientes, para a criação de uma nova civilização, mais fraterna, solidária e justa para todos os seres e a Terra.
É neste sentido que convoco todos a que celebremos o espírito do 25 de Abril, não apenas o passado, que mal se esboçou e logo foi traído, mas o que está por vir, um verdadeiro e mais profundo 25 de Abril, uma verdadeira e mais profunda Revolução, que nos coloque realmente no rumo de um Mundo Novo, mas agora não só para os homens e sim para todos os seres! Temos de nos libertar de vez deste espírito do Portugal dos Pequeninos, o Portugal da mesquinhez e da mediocridade, o Portugal onde a economia e as finanças são mais importantes do que a Vida e que hoje é tão semelhante ao de Salazar e Caetano. Há que erguer um Portugal dos Grandes, o Portugal das grandes causas, que oriente o nosso espírito aventureiro, inovador e empreendedor para o bem de tudo e de todos!

Vamos a isto, Companheir@s! Sejamos rebeldes pela melhor das causas!

Lisboa, 20 de Abril de 2012

Paulo Borges
Presidente da Direcção Nacional do Partido pelos Animais e pela Natureza

PAN apela aos deputados municipais da Graciosa que votem contra a renovação do protocolo

















No próximo dia 20 de Abril vai ser levada a votação à Assembleia Municipal do Município de Santa Cruz da Graciosa, a renovação do protocolo para a gestão do canil municipal entra a CM de Santa Cruz da Graciosa e a Associação dos Cinegeticófilos da Ilha Branca.

No período em que esta associação geriu o canil municipal, o PAN teve conhecimento de vários casos de abandono de cães nas lixeiras e nas ruas, chegando estes muitas vezes a serem recolhidos por associações de protecção animal.

Havendo claramente uma situação de má gestão do canil municipal não faz qualquer sentido que esta renovação aconteça, devendo por isso a Câmara Municipal colocar um fim a esta parceria desprovida de qualquer sentido. O PAN enviou uma carta ao Presidente da Câmara Municipal de Santa Cruz da Graciosa solicitando a não renovação deste protocolo e solicitando a implementação de boas práticas de gestão, tais como:

- O não abate dos animais recolhidos pelo canil municipal de Santa Cruz da Graciosa;
- A esterilização dos animais errantes;
- Promoção da adopção de cães e gatos que estão à responsabilidade da Câmara;
- Acções de sensibilização junto da população local, nomeadamente junto das crianças e adolescentes, no sentido do reconhecimento da senciência animal, ie, da capacidade que estes têm de sentir dor e prazer.

Acreditamos que o modelo de gestão de um canil municipal, por parte de uma associação cujo a sua razão de existência seja a defesa e o bem-estar animal possa ser benéfico para o município, a comunidade e principalmente para os animais. Por isso, não faz qualquer sentido que essa gestão seja feita por uma associação de caçadores com é o caso da Associação dos Cinegeticófilos da Ilha Branca, onde a sua filosofia e razão de existência não está focada no bem-estar animal.

O PAN apela aos Deputados da Assembleia Municipal que votem contra este protocolo e exorta a todos os cidadãos, que enviem um email à Câmara de Santa Cruz da Graciosa e Assembleia Municipal solicitando a não renovação do protocolo com a Associação em questão e que proceda à implementação de medidas que defendam verdadeiramente o interesse dos animais.

Águas de Portugal ou Portugal sem águas ?

O Grupo Águas de Portugal S.A. (AdP), actualmente detido por capitais públicos, tem como objectivo produzir e fornecer água em todo o território nacional. Actua em todas as fases do ciclo urbano da água (captação, tratamento e distribuição para consumo público), bem como na recolha, tratamento e rejeição de águas residuais urbanas e industriais. Pela natureza da sua actividade, é legítimo afirmar que qualquer perturbação ou alteração de política na sua gestão poderá condicionar, comprometer ou limitar o acesso da população a água de qualidade. O grupo AdP detém praticamente o monopólio da actividade que exerce, tendo vindo a apresentar desde há alguns anos resultados positivos, embora suportados por subsídios estatais. Este apoio do Estado é tanto mais lógico quanto se considera que um bem básico como a água deve estar acessível, logística e financeiramente, a todas as pessoas. A água é um recurso básico e essencial não só para as populações humanas, como para todos os seres. A restrição directa ou indirecta ao seu acesso, a sua falta de qualidade ou o seu ineficiente tratamento e recuperação afectam de forma dramática o ambiente e os seres que nele se integram. É neste contexto que o Governo se prepara para privatizar o grupo AdP, vendendo-o a empresas privadas que, ao adquiri-lo, pretenderão, legitimamente, obter ganhos e lucros. A racionalização dos métodos de gestão e de exploração terá aí um papel importante. No entanto, tal não será, decerto, suficiente (caso contrário, não haveria motivo para a sua venda), pelo que rapidamente veremos a água aumentar o seu preço. Numa conjuntura económica difícil como a actual (que não é pontual, pois sabemos que ciclicamente a economia sofre situações de contracção), será fácil perceber a restrição ao acesso que tal representará para a generalidade da população. Entregar um recurso estratégico a entidades não controladas pelo Estado é de um perigo enorme, podendo colocar em causa a saúde e segurança do país e dos seus habitantes. E isto é tão mais grave quando sabemos que este não é caso isolado, pois esta operação de privatização segue-se à venda de entidades até agora estatais inseridas em sectores estratégicos e/ou não concorrenciais, como é o caso da EDP ou da REN. E tal como nestes casos, nada garante que o grupo AdP não venha a ser colocado nas mãos de empresas estrangeiras ou de outros Estados. Não podemos esquecer que, citando Leonardo Boff, "quem controla a água controla a vida e quem controla a vida tem o poder". Tudo isto se passa num contexto onde, um pouco por todo o planeta, se está a aprender com os erros que foram as entregas a privados do sector da água. Na verdade, assistimos a recentes reversões de privatizações em países como Reino Unido, França e, imaginem, Alemanha. Em diversos países foi publicada legislação para garantir a água pública (Holanda, Bolívia e Uruguai, por exemplo). O PAN sempre defendeu uma diminuição da presença do Estado no tecido empresarial nacional, mas nunca concordou com a privatização de empresas de importância estratégica ou inseridas em sectores não concorrenciais. Muito menos, empresas que controlam directa ou indirectamente o acesso a bens essenciais. Por todas estas razões, o PAN apela a todos os cidadãos que protestem de forma pacífica com todos os meios ao seu alcance para que a privatização do Grupo Águas de Portugal S.A. (AdP) não aconteça. Sugerimos, assim: - a subscrição da petição "Privatização da Água a Referendo" disponível em http://www.peticaopublica.com/PeticaoAssinar.aspx?pi=P2011N11644; - o envio massivo de e-mails e/ou cartas de protesto para o Gabinete do Primeiro-Ministro ( gabinete.pm@pm.gov.ptEste endereço de e-mail está protegido de spam bots, pelo que necessita do Javascript activado para o visualizar ), o Secretário de Estado da Presidência do Conselho de Ministros ( gabinete.sepcm@pcm.gov.ptEste endereço de e-mail está protegido de spam bots, pelo que necessita do Javascript activado para o visualizar ), o Ministro das Finanças ( gabinete.ministro@mf.gov.pt Este endereço de e-mail está protegido de spam bots, pelo que necessita do Javascript activado para o visualizar ), o Ministro da Economia( gabinete.ministro@mee.gov.ptEste endereço de e-mail está protegido de spam bots, pelo que necessita do Javascript activado para o visualizar ), a Ministra da Agricultura ( gabinete.ministro@mamaot.gov.pt Este endereço de e-mail está protegido de spam bots, pelo que necessita do Javascript activado para o visualizar ) e o Grupo Águas de Portugal ( info@adp.pt Este endereço de e-mail está protegido de spam bots, pelo que necessita do Javascript activado para o visualizar ); - a organização de manifestações de protesto um pouco por todo o país. Não nos deixemos vender. Não alienemos o nosso presente e o nosso futuro. Pelo bem de tudo e de todos.